|
É contraditório: uma nação com
altos índices de desemprego, miséria e problemas
sociais graves consegue ser, ao mesmo tempo, um
dos países mais empreendedores do planeta, de
acordo com a escola de empreendedorismo Babson
College.
Somando esse indicador ao fato de que o povo
brasileiro é o que mais navega na internet, bem
como o que melhor se adapta a inovações no mundo,
surge um novo conceito de empreender que promete
mudar o rumo de grande parte das empresas
brasileiras, o empreendedorismo digital.
É importante lembrar, neste contexto, que os
baixos índices de capilaridade da internet no
Brasil, um dos principais entraves para o avanço
do empreendedorismo digital, vem sendo
gradualmente combatido por esforços da iniciativa
privada e por campanhas de inclusão digital do
governo federal.
No ano passado, foram vendidos 23% mais
computadores do que em 2006, o que representa
cerca de 10 milhões de máquinas, sendo que 64%
delas foram vendidas para pessoas que estão
comprando o seu primeiro computador. Forma-se
assim um bolsão de usuários que irão começar a
usar a internet diariamente.
Investimento de baixo custo
Segundo o autor do livro Google Marketing, maior
obra de marketing digital do País, Conrado Adolpho,
a internet possibilita que qualquer um tenha sua
empresa digital por um custo relativamente baixo,
tanto de recursos humanos e manutenção quanto de
logística ou marketing.
"Todas as funções básicas de uma empresa podem ser
resolvidas com soluções muito simples e de forma
bem em conta. Basta conhecer as possibilidades que
a rede oferece", explica o consultor.
A manutenção de uma empresa virtual pode
significar menos de R$ 90 mensais para manter um
site de comércio eletrônico. Quanto ao marketing,
sites de busca oferecem serviços vantajosos e em
conta.
"Apesar de não parecer difícil nem caro, o que
falta ao brasileiro para ser um dos povos com
maior índice de empreendedorismo digital é
informação. O que o Sebrae faz pelos
empreendedores de 'bricks', empresas feitas de
tijolo e cimento, deveria ser feito também pelos
empreendedores de 'clicks', ou seja, as empresas
virtuais".
"E não são apenas os links patrocinados ou a
otimização de sites que garantem esse resultado. O
marketing digital é muito vasto e vem crescendo
consideravelmente nos últimos anos. A opinião de
um blogueiro, por exemplo, hoje conta muito mais
do que um banner em um site. As pessoas confiam
mais nas informações passadas por outras pessoas
comuns, também consumidoras, do que nas
propagandas", garante o especialista.
Segundo o presidente da Câmara e-net, Manuel
Matos, todas as empresas que investem em internet
sabem que de 25% a 40% dos consumidores buscam
informações sobre o produto na internet, antes de
ir à loja efetuar a compra.
"A partir daí, vemos a importância dos blogs e
outras ferramentas da web 2.0, que possibilitam
que todos os usuários do mundo participem do
conteúdo de sites e blogs, dando opiniões,
debatendo e fazendo perguntas", conclui Adolpho. |
|
As vendas de computadores no Brasil
chegaram em março a uma nova fronteira: a classe
D. Segundo o presidente da maior fabricante de PCs
e notebooks do Brasil, a Positivo Informática,
Hélio Rotenberg, a classe C também já está
conseguindo arcar com prestação de um computador
melhor. E isso está acontecendo uniformemente em
todo o país, segundo o executivo.
"Já estamos pegando uma pontinha da classe D (na
venda de computadores), já tem empregada doméstica
comprando computador, o autônomo que ganha 800
reais também", disse Rotenberg durante entrevista
no Reuters Latin America Investment Summit.
"Está sobrando dinheiro para as famílias de classe
C e elas estão comprando computador. O tíquete
médio subiu neste mês de março
impressionantemente", afirmou. A chamada classe C
é formada por famílias com renda média de cerca de
1.000 reais por mês.
Segundo ele, as famílias estão aproveitando sobra
de orçamento para optarem por modelos de
computadores mais sofisticados, com telas de
cristal líquido (LCD) de 19 polegadas.
"Temos um modelo de 1.799 reais, um computador
completo com (monitor de) 19 polegadas e LCD.
Vendeu uma quantidade em março absolutamente fora
de qualquer padrão, com parcela de 79 reais. O
cara que iria comprar pela parcela de 59 reais, já
se dá ao luxo de escolher um computador com
prestação de 79 reais", afirmou o executivo.
O Brasil avançou no ranking mundial de vendas de
computadores em 2007, passando da sétima para a
quinta posição, com vendas de 10,7 milhões de PCs
entre desktops e notebooks. Esse volume,
representou um salto de 38 por cento sobre as
vendas de 2006, de acordo com dados da empresa de
pesquisa de mercado IDC.
A companhia prevê para 2008 "outro excelente ano
para o consumo de PCs no país". Para Rotenberg, o
mercado brasileiro crescerá em média 30 por cento
ao ano nos próximos quatro anos. |